Histórias de Campinas para quem ama a cidade: os tempos de Miguel Vicente Cury (1948-1951)

Histórias de Campinas para quem ama a cidade: os tempos de Miguel Vicente Cury (1948-1951)

A ideia aqui é contar a história de nossa cidade de Campinas desde 1948, quando a cidade recebeu seu primeiro Prefeito que foi votado pela população – (antes os prefeitos eram nomeados): Miguel Vicente Cury. Cada artigo falará da história que aconteceu na nossa cidade durante o período em que cada prefeito governou, por uma questão meramente didática – e sem qualquer objetivo político. As fontes de informação são todas da Internet – em especial do excelente grupo do Facebook (Eu Amo Campinas) e Wikipedia.

 

A era de Miguel Vicente Cury – 1 de janeiro de 1948 a 19 de maio de 1951

Desde 1852, os prefeitos (ou intendentes) de Campinas eram nomeados. Cury foi o primeiro Prefeito de fato eleito pelo voto popular.

1948 foi um ano “acontecimento” para municípios paulistas: era um passo definitivo na volta integral ao regime do Estado de Direito e da Democracia (1)Correio Popular, 04/setembro/2002 – http://libdigi.unicamp.br/document/?view=CMUHE037803. Foi o fim do Estado Novo de Getúlio Vargas, depois de 11 anos de regime de exceção no Brasil.

Assim Campinas e outros municípios podiam passar a ter uma nova vida, voltada para empreendimentos, agora decididos pelo seu executivo maior: o prefeito eleito. Dentro da absoluta ordem e legalidade, os prefeitos da região se dedicariam ao progresso e à prosperidade destas terras de bandeirantes.

Também pela primeira vez foram eleitos vereadores da nossa cidade. Os problemas desse período, mais que de carater ideológico, eram de natureza financeira.

Miguel Vicente Cury

Miguel Vicente Cury

Miguel Vicente Cury

Cury era natural  de Campinas. e tinha preparo.

Passou 5 anos na Europa estudando Humanidades, voltou e foi comerciário em Araras. Formou-se em Contabilidade e se mudou para Mogi Mirim, criando com seu pai (em 1919) uma oficina de reforma de chapéus:  Chapéus Cury, que até recentemente uma maiores fábricas de chapéus do Brasil (“Cury sempre foi e continua sendo sinônimo de chapéu bom. Quem é do meio, sabe disso”).

Além de ser empresário, decidiu também seguir a carreira política. E acabou ocupando a cadeira de Prefeito de Campinas por duas vezes: de 1948 a 1951 e depois de 1960 a 1963. Em 1951 renunciou à prefeitura para poder se candidatar a vereador – e se elegeu para o período de 1952 a 1955!

Campinas no ano de 1948

A vida de um prefeito não é fácil pois, quando ele assume, ele recebe o município do “prefeito anterior” e todos os compromissos do seu primeiro ano de mandato já estão completamente definidos por uma gestão que não foi sua. Só poderá mudar as coisas a partir do seu segundo ano de atuação.

Quando assumiu posse, recebeu a Prefeitura de Campinas em estado financeiro muito crítico. Tão crítico que chegou a fazer operações financeiras dando endosso pessoal para que vários serviços públicos não fossem interrompidos (coisa inimaginável nos nossos tempos atuais)!

E partiu para sanear as finanças da cidade.

Principais Realizações do período

  • Criou um novo Código Tributário, que permitiu um imediato aumento da arrecadação de impostos;
  • Implementou importantes melhorias na infraestrutura da cidade, ampliando a rede de água e esgoto;
  • Pavimentação de diversas vias;
  • Implementação de conjuntos habitacionais para a população de baixa renda (em conjunto com o IAPI e a Caixa dos Ferroviários);
  • Promoção de reformas urbanísticas importantes: Exemplos:
    • Prolongamento da Avenida Andrade Neves até o Jardim Chapadão;
    • Alargamento de vias centrais;
    • Construção do viaduto sobre os trilhos da FEPASA (posteriormente denominado Viaduto Miguel Vicente Cury);
    • Deu suporte pleno ao início da construção do Aeroporto de Viracopos (com verbas do pelo governo estadual).

Algumas Curiosidades do Período

Desabamento do Cine Rink

Em 1944 Campinas tinha tido uma tragédia: o incêndio do Cine República, que era um antigo mas bastante popular local para a diversão dos campineiros. Foi uma cena tétrica, real e “fora da tela”. Não demorou 30 minutos para o fogo destruir completamente o cinema.

Sete anos depois, foi a vez do Cine Rink, a poucos metros do próprio Cine República.

Só que esta tragédia teve dimensões muito maiores. O cinema tinha capacidade para 1200 pessoas e estava lotado quando, na tarde dde 16 de setembro de 1951, o teto começou a desabar durante uma matinê dupla, onde passavava “Os Salteadores” e “Amar foi Minha Ruína”!

Uma tragédia que deixou 40 mortos e mais de 400 feridos – cuja maioria só pode ser retirada na manhã do dia seguinte. Tristeza na cidade.

Aumento dos subsídios para os Vereadores

A despeito de termos 4 vereadores comunistas e outros da bancada do Prestes, os problemas maiores da cidade não eram ideológicos e sim financeiros.

Em 1949 a cidade teve uma epidemia de tifo, ajudando a aumentar o caos na saúde pública.

Em meio a todos esses problemas, um vereador propôs o aumento dos salários de todos Vereadores (o subsídio, na época, era de 4 mil cruzeiros fixos mais 250 cruzeiros por sessão!!!).

Foi o maior quiprocó! Como uma cidade endividada poderia fazer isso? A imprensa caiu matando – em especial o Correio Popular.

Entidades como a Sociedade de Medicina e Cirurgia, Associação Comercial e Industrial também engrossaram o caldo das críticas.

Foi um impasse tão grande que nomearam um Monsenhor (Emílio Salim) para mediar as negociações. Foi uma polêmica de meses e meses. No final das contas, o aumento foi concedido…

(Se você tiver memória de mais curiosidades do período, deixe aqui nos comentários).

Referências   [ + ]

1. Correio Popular, 04/setembro/2002 – http://libdigi.unicamp.br/document/?view=CMUHE037803