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 A Mobilidade urbana é um dos maiores  desafios para as cidades no século XXI

No dicionário, mobilidade significa “facilidade para se mover”.

Mobilidade Urbana é definida como a condição que permite o deslocamento das pessoas em uma cidade, com o objetivo de desenvolver relações sociais e econômicas. Ônibus, metrô, outros transportes coletivos, bicicletas e carros fazem parte das soluções de mobilidade.

Mobilidade é um problema crítico nos maiores municípios

A questão é: cada vez mais as cidades, à medida em que crescem,  estão perdendo a capacidade de permitir que as pessoas se desloquem com qualidade.

Nas grandes metrópoles brasileiras o simples ir e vir da casa para o trabalho  virou um problema nos últimos anos, prejudicando (muito!) a qualidade de vida.

O uso do carro tem sido um dos principais vilões nessa história. Hoje temos uma média de 1 automóvel para cada 4,4 habitantes. Em cidades grandes, isso gera congestionamentos problemáticos e impede o deslocamento fluído – pois o transporte “pessoal” afeta também o transporte “público”.

Consequência prática: perde-se muito  tempo com trânsito cada vez mais lento e engarrafamentos. E falta tempo para buscar os filhos na escola, curtir um jantar com a família ou amigos e praticar outras atividades de lazer.

A qualidade de vida dos brasileiros é impactada negativamente pelo trânsito. Um estudo realizado pela Ipsos estima que, em média, perde-se 1h20 em deslocamentos de ida e volta para as principais atividades do dia. Tempo que, somado, dá pelo menos 32 dias por ano. Além de estresse, atrasos, acidentes e vidas interrompidas, o custo com congestionamento no país chega a R$ 267 bilhões por ano, o que corresponde a cerca de 4% do PIB. É muito desperdício de vida. A Mobilidade Urbana torna-se cada vez menos Humana.

pirâmide da mobilidade urbana

O crescimento das cidades

crescimento das cidadesO planejamento de soluções para as cidades é extremamente complexo.

Primeiro: há um deslocamento cada vez maior do campo para as cidades. A automação e a mecanização da atividade agropecuária demandam cada vez menos mão-de-obra. As pessoas migram do campo para as cidades em busca de trabalho e melhores condições de vida, crescimento pessoal etc. Com isso, as cidades crescem mais do que seria normal pelo crescimento vegetativo da própria população, ganhando cada vez mais uma população “extra” que vem “do campo” para a “cidade”. E é muito difícil prever e planejar bem esse crescimento adicional. Quanto mais gente, maior a necessidade de melhorar as soluções de mobilidade urbana.

Nas grandes cidades brasileiras, de modo geral, a expansão urbana se deu e ainda se dá como decorrência de um grande fluxo migratório das áreas rurais para as cidades –  sem que seja possível oferecer um proporcional aumento de infraestrutura que sempre atenda às necessidades desse rápido crescimento.

Segundo: quanto maior a cidade, mais “polarizadora” ela é. Cidades maiores funcionam como verdadeiros imãs, atraindo pessoas de cidades vizinhas menores – pois apresentam maior oferta de trabalho, melhores salários, mais oportunidades de empreender – e vai por aí. Além disso, as pessoas de cidades menores se deslocam para as cidades maiores na busca de melhores serviços (por exemplo, serviços médicos mais qualificados) e comércio mais atrativo (grandes shoppings, por exemplo). O fato de as pessoas não residirem no município somente intensifica e torna mais complexas (e caras) as soluções de mobilidade urbana. Não são habitantes, mas são usuárias e “competem” com os habitantes.

Para ser ter uma ideia da nossa realidade (2019), segundo o IBGE:

  • Mais da metade da população brasileira vive em apenas 5.6% dos municípios;
  • Um em cada três brasileiros mora em 48 municípios com mais de 500 mil habitantes. Cerca de 66,5 milhões de brasileiros (31,7%) residem nos 48 municípios com mais de 500 mil habitantes (0,9% dos 5.570 municípios).

Terceiro: As principais vias de uma cidade (ruas e avenidas) são inelásticas, ou seja, sua capacidade de tráfego não se expande com o crescimento e soluções para essa “expansão”, quando possível, demandam investimentos altíssimos – além de obras bastante complicadas. Junte-se a isso o adensamento populacional em áreas mais centrais, de pequena extensão relativa. No início, é um sinal de progresso e modernidade: mais prédios para se morar e trabalhar, grandes shoppings…. Depois, essa modernidade acaba se tornando uma fonte se sérios problemas que complicam muito a capacidade de deslocamento dos indivíduos. E viver nessas regiões mais centrais passa a ser mais caro (imóveis com maior valor e maiores impostos).

Quarto: O encarecimento das regiões centrais se casa com a queda da oferta de imóveis novos, empurrando a expansão do município para as periferias. Comumente as periferias são ocupadas por famílias de menores faixas de renda. Em várias cidades brasileiras isso gera “cinturões de pobreza” bastante adensados. Esse adensamento em geral é bem mais rápido do que a capacidade de oferecer serviços públicos nessas regiões. Isso acentua os problemas de deslocamento dentro dos perímetros urbanos: os equipamentos públicos e a oferta de emprego permaneceram concentrados espacialmente (nos centros), enquanto o espaço urbano se expande (para as periferias). Esse contexto gera  fluxos populacionais em geral de mesma direção: maior deslocamento para regiões mais centrais para realizar atividades cotidianas ao longo do dia e maior fluxo às periferias no final do dia, retornando para seus domicílios. A despeito de terem menor renda, os habitantes das periferias têm que deslocar mais – gastando tempo e dinheiro nessa locomoção. Qualquer aumento nas tarifas de passagens ou em combustíveis afeta, em primeira mão, justamente esse pessoal de menor renda.

Mais que fazer planejamento urbano, é preciso mudar o “mindset” dos gestores públicos e a cultura das empresas

mindsetPara resolver problemas de mobilidade, as prefeituras adotam soluções que tornam a vida dos cidadãos cada vez mais complicadas – e caras.

Exemplos:

  • Rodízios para automóveis particulares;
  • Restrições de horário para automóveis, entregas, coletas, etc.;
  • Parquímetros / Zonas Azuis, com restrição de tempo (e caros);
  • Zonas de pedágio nas regiões centrais (em moda no exterior, mas já-já chega aqui no Brasil). Ações de pedágio urbano, como as feitas em Londres, transferem aos donos dos veículos os custos sociais de sua escolha, com a cobrança de tarifas diferentes para o uso de vias em horários de maior pico…  são ações que suscitam bastante polêmica.

Como o transporte público em geral é insuficiente e ao mesmo tempo relativamente caro – especialmente para a população de menor renda, pois pesa mais no seu orçamento – o sonho de todo brasileiro é ter seu carro próprio (o que é amplamente estimulado, claro, pelas montadoras). E quem tem maior renda, para driblar rodízios de placas, por exemplo, chega a adquirir um segundo veículo – e se locomove a semana toda – “burlando” o sistema.

O modelo de mobilidade ao qual nos habituamos foi pensado para os automóveis – e não para as pessoas. Se os gestores municipais pensassem mais nas pessoas e na qualidade de vida de seus munícipes, é óbvio que incentivariam muito mais o transporte coletivo que o transporte individual.

O mindset “atrasado” dos Gestores Públicos

Mas o “mindset” (jeito de pensar) da maioria dos prefeitos (e seus vereadores) ainda está no século passado. A legislação orgânica dos seus municípios idem.

Oferta de ônibus precária e cara

Por exemplo, os contratos com empresas de ônibus urbanos envolvem valores elevadíssimos e em geral são de longo prazo. Em geral, são uma porta aberta para a corrupção, pois sabe-se que a “população” não tem como fiscalizar esses contratos.

Aqui em Campinas, por exemplo, as tarifas de ônibus já são as mais altas do Brasil. E acabam de ser majoradas em mais de 5%, bem acima da inflação. A moça que vem aqui em casa  uma vez por semana, ajudar aqui na manutenção da casa (faxina, roupas etc.), vai gastar R$ 10 para vir e voltar para casa dela. Como ela recebe R$ 100 pelos serviços, 10% de seu trabalho vai simplesmente pagar o transporte. Para o Prefeito – e os Vereadores – que certamente não usam ônibus, o quase R$1 de aumento na passagem é nada. Para a moça, é uma mordida de mais de 2% da sua renda.

O pior que isso é que esses contratos “renovados” também não buscam nenhuma contrapartida das empresas prestadoras de serviços. Elas continuam usando ônibus velhos, que vivem quebrando e interrompendo o fluxo dos passageiros. Não se aumenta, nem se especifica, o nível mínimo de qualidade de atendimento: tem que ter um ônibus a cada “x” minutos… Não se exige nenhuma melhoria nos ônibus, como ar-condicionado ou wi-fi – que são comuns hoje no mundo civilizado. E necessários numa cidade quente como Campinas – onde todo mundo tem, ao menos, um celular, mesmo que não tenha computador (97% dos brasileiros usam smartphone para se conectar à internet).

A transformação digital ainda não chegou na cabeça dos gestores públicos

transformação digital nas cidades

Outro exemplo: Campinas é uma cidade “chata”, avessa ao transporte coletivo por aplicativos como o Uber. Criou um monte de regras para desincentivar esse tipo de oferta, atendendo ao lobby dos motoristas de táxi tradicionais (várias cidades têm agido assim, impensadamente). Atendendo a lobbies de associações de motoristas que continuam dormindo no “ponto de táxi” até o velho telefone (do ponto) tocar. Seria muito mais inteligente e sensato ajudar os motoristas de táxis tradicionais, que no passado pagaram uma fortuna para a Prefeitura para poderem ter sua placa vermelha, a oferecer o mesmo padrão de serviços, via APP. Criando um APP tipo – “Táxi Público”. Ajudando os taxistas a oferecerem um serviço melhor – e mais barato. Vender placas vermelhas é definitivamente algo do século passado.

Num novo mindset, a prefeitura devia dar graças a Deus por ter oferta de mais serviços de transporte por aplicativos móveis para seus munícipes – que são melhores e baratos, porque há muita competição. Sem que as Prefeituras tenham que investir. Os aplicativos de mobilidade urbana existem para facilitar a locomoção, seja em trajetos curtos ou longos e tem a vantagem de desincentivar a aquisição de veículos próprios (quem faz as contas na ponta do lápis descobre que é muito mais barato usar o transporte particular via aplicativo do que comprar e manter um automóvel. Mesmo considerando que uma vez por ano a pessoa tenha que alugar um carro para viajar nas suas férias).

Outro fator importante: os motoristas são na verdade microempreendedores individuais, que investem seus recursos próprios para oferecer serviços. Muitos estariam desempregados se não tivessem essa opção, aumentando o tamanho da crise que o país atravessa há anos. É fator gerador de riqueza ou, pelo menos, diminuidor de pobreza e problemas sociais.

Outro ponto: a transformação digital impacta positivamente a mobilidade urbana de outras formas.

  • Os aplicativos de compras e entregas diminuem a necessidade de deslocamento das residências até os centros comerciais da cidade, facilitando a vida de muitas pessoas. São importantíssimos para melhorar a logística de distribuição de produtos e deveria ser incentivado;
  • Os aplicativos de micromobilidade, tipo “Uber” para bicicletas, ajudam pedestres a se locomoverem sem usar transporte público ou individual. São veículos alternativos que ajudam a diminuir as emissões de gases nocivos, diminuindo a poluição das cidades e contribuindo para a sustentabilidade ambiental;
  • Os aplicativos de carona permitem compartilhar  viagens, seja dentro da cidades ou em rotas intermunicipais – e também deveriam ser incentivados.;
  • Os aplicativos de navegação são excelentes para os cidadãos escolherem as melhores rota, saber quais são as melhores alternativas de deslocamento e inclusive descobrir onde e quando passa um ônibus. Eles ajudam a sair do ponto A e chegar ao ponto B sem complicações ou surpresas, da forma mais rápida, eficiente e econômica.

O automóvel próprio ainda  é visto como fonte de receitas (embora gere necessidade de investimentos muito maiores que as “receitas”)

Finalizando, o uso do transporte público não é incentivado porque exigiria mais transporte público. E isso exigiria mais investimentos e planejamento urbano das Prefeituras. Simples como isso. É muito mais fácil enxergar e tratar o transporte individual como “gerador de impostos” (via IPVA anual) e via a “indústria de multas”. Em Campinas hoje se arrecada R$10 milhões por mês só com multas, R$120 milhões por ano. O “serviço” é terceirizado, não exige investimentos e é altamente rentável. Já o IPVA de quase 550 mil veículos (1 a cada 2 habitantes!) gera R$ 533 milhões por ano (2019). Juntando os 2, isso dá 10% das receitas do município, orçada em R$ 6,2 bilhões para 2020.

Esse dinheiro vem fácil – mas não resolve os problemas com a emissão de poluentes, que é provavelmente o segundo maior desafio colocado para a mobilidade urbana. Os centros urbanos são em geral áreas em que há acúmulo de gases poluentes emitidos por veículos motorizados. Aproximadamente um quinto de toda a emissão de CO2 é gerado por veículos que utilizam combustíveis fósseis. E o pior: a cidade se desumaniza, pois cada vez mais ela é adaptada para carros –  e não para as pessoas que nela vivem…

cidades para carros versus cidades para pessoas

O problema da Cultura das Empresas

A internet tem mais de 30 anos, já está ficando “velhinha”.

Antigamente, você era obrigado a se deslocar até a empresa, ligar o computador lá – e operar o seu trabalho de lá, dentro do computador da empresa.

Hoje, os sistemas da empresa em geral não estão mais dentro da empresa. Estão na nuvem (que a Dilma ainda está “auditando” a nuvem par verificar se existe mesmo).

Antigamente, quase toda empresa precisava ter estacionamento, espaço com mesa de trabalho, computador à disposição. Crescer, escalar o negócio, além de questões mercadológicas, sempre envolvia significativos problemas de logística e infraestrutura,

Com os sistemas em nuvem, tudo ficou mais fácil. Dependendo do negócio, é possível ter funcionários trabalhando em casa, sem necessidade de qualquer deslocamento. Claro que o empresário precisa mudar também seu mindset, aprendendo a lidar com essa nova possibilidade, estabelecendo metas claras para seus colaboradores e efetuar “cobranças” por resultados efetivamente alcançados. Isso implica em “medir” o desempenho por resultados e não mais pelo controle de horário ou tempo dispendido. O fato de as pessoas não precisarem sair de casa para trabalhar, fazendo o chamado “Home Work” (ou teletrabalho), tem impactos extremamente positivos  na Mobilidade Urbana.

Para as pessoas, os benefícios de trabalhar em casa são múltiplos:

  • Reduz o estresse com locomoções e ajuda a economizar, no mínimo, uma hora por dia só com o deslocamento;
  • É possível comer em casa, o que em geral é mais barato do que comer fora, mesmo em restaurantes simples;
  • As empresas podem pagar maiores salários, pois reduzem os custos com aluguel de espaço físico, eletricidade, água, seguros, segurança e infraestrutura de apoio.

trabalho feito em casa - home work

Mesmo nos USA, apesar de seus muitos benefícios, a revolução do teletrabalho ainda está começando: 8 milhões de trabalhadores, ou 5,2% de todos os funcionários com 16 anos ou mais, trabalham em casa em tempo integral, segundo dados do Census Bureau. Mas já há um significativo número de cidades onde 10% a 20% da força de trabalho trabalha em casa. Essas cidades têm  uma interessante característica em comum: a taxa de desemprego é menor que a média nacional e  a renda média é mais elevada que a média do país. As taxas de pobreza também são menores.

Claro que nem todas as profissões são adequadas para se trabalhar em casa. A maioria dos trabalhos de mão-de-obra certamente não é –  e quaisquer ocupações de “colarinho branco” que exijam interação cara a cara provavelmente também não são adequadas. Porém, trabalhos como por exemplo desenvolvimento de software possuem fluxos de trabalho independentes e permitem que as pessoas façam reuniões por telefone podem perfeitamente derem feitos “em casa”.

Nos USA, Scottsdale é a capital que mais  se  trabalha em casa: um em cada oito trabalhadores. Além do grande número de empregos em telecomunicações, Scottsdale também ficou entre os cinco primeiros municípios em taxa de desemprego e pobreza. Scottsdale chega ao 16º lugar em custos de moradia como porcentagem da renda, tornando-a a cidade mais acessível em relação à renda, entre os 10 primeiros. No Brasil ainda não temos estatísticas – mas certamente o trabalho em casa vai cada dia mais deixar de ser tabu.

O que andam fazendo pelo mundo, para melhorar a Mobilidade Urbana?

Um caminho para melhorar a mobilidade urbana é estudar e entender a cultura (e como funcionam) algumas das cidades consideradas referências mundiais em mobilidade. Nessas cidades hoje  a marca registrada é o estímulo a combinações de meios de locomoção (modais) que dispensem o uso de carros particulares. E a mudança de mentalidade: Mobilidade Urbana para Mobilidade Humana.

A mobilidade urbana passou a ser repensada. Há um real interesse em trazer de volta o seu sentido primário e original: melhorar a qualidade de vida das pessoas de forma sustentável. Isso inclui aspectos econômicos, sociais e políticos.

Plano de Mobilidade Urbana

Para atingir esses objetivos, o poder público precisa se comprometer fortemente. Oferecendo à população um plano de mobilidade urbana. Esse plano contém todas as previdências a serem traçadas para que a cidade seja um  espaço público que tenha  maior qualidade de vida, num conceito de “mobilidade urbana sustentável”.

Plano de Mobilidade Urbana

Em síntese, Plano de Mobilidade Urbana é um conjunto de diretrizes pensadas para melhorar o deslocamento sustentável das pessoas em uma cidade, sempre de olho resultados positivos na qualidade de vida (veja nas referências um desses planos, feito para Itajaí. É um ótimo exemplo).

Toda cidade brasileira com elevado número de habitantes pode (e deve) desenvolver seu plano de mobilidade urbana. É algo que nem o Prefeito nem seus Vereadores podem deixar para o futuro.

É preciso se antecipar em relação ao futuro, pensando também na vida de nossos filhos e netos: como garantir acessibilidade, segurança, eficiência, qualidade de vida, preservando o  dinamismo econômico, promovendo a  inclusão social – e preservando o meio ambiente. Não é uma tarefa simples – mas tem que ser feita.

Mobilidade Humana

Muitas cidades estrangeiras priorizam a mobilidade humana em seus planos de governo e, por isso, criam alternativas ambientalmente corretas e econômicas, que contemplam toda a população.

Nos quatro cantos do planeta, metrôs, ônibus e táxis fazem parte da rotina de milhões de usuários, que diferentemente dos brasileiros, preferem deixar o carro em casa – ou até mesmo desistem de ter um automóvel.

É preciso incentivar a sociedade a se comprometer e a  protagonizar iniciativas para transformar a mobilidade nas cidades, tornando-a mais humana, inteligente e segura.

Cidades inteligentes são cidades onde, além de tecnologia, os cidadãos também participam de forma inteligente em tudo o que acontece. A cidade do século XXI é uma cidade viva, um grande ser senciente, construído pela coletividade. É nas cidades que as pessoas vivem interagem – elas não vivem no Estado ou na Federação!

Há um enorme trabalho pela frente: conscientizar e educar as pessoas sobre os todas decorrências  da mobilidade, de modo que elas percebam que têm um papel importante a cumprir, como coletividade, para resguardar, aprimorar e desenvolver para melhorar a mobilidade urbana. Inclusive cobrando, além de planejamento, ações efetivas de seus governantes locais.

Alguns dos melhores transporte públicos do mundo

1. Hong Kong

É uma das cidades mais populosas do mundo. Tem mais de seis mil habitantes por quilômetro quadrado. Todo o sistema de transporte público é pensado para acompanhar o intenso fluxo de usuários. Entre as principais medidas, há ônibus de dois andares e uma rede de metrô extensa, rápida e bastante segura.

Cerca de 90% dos habitantes da cidade utilizam o transporte público diariamente, usando um cartão conhecido como Octopus (ou polvo, em português) para pagar pelas viagens rapidamente.

2. Singapura

Esta cidade-Estado destaca-se pelo custo-benefício dos meios de transporte disponibilizados à população. O sistema público é composto de trens, ônibus e metrôs. Quando comparados aos serviços ofertados em outros países, são considerados extremamente baratos.

Segundo a pesquisa do Instituto McKinsey, os modais de transporte de Singapura são os mais seguros e sustentáveis do mundo inteiro.

A percepção dos usuários comprova isso! Mais de 80% da população está satisfeita com o sistema de transporte e boa parte dela se beneficia de um desconto especial para trabalhadores ou da gratuidade do transporte para crianças.

O que fez com que Singapura desenvolvesse um sistema tão incrível foi a tecnologia. A gestão automatizada dos ônibus e trens faz com que eles circulem com mais precisão e pontualidade.

3. Paris

A capital da França não é só uma das cidades mais apaixonantes do mundo. Ela também conta com o terceiro melhor sistema de transporte de todo o globo, ainda segundo a pesquisa do Instituto McKinsey.

O metrô de Paris cobre uma área de 214 quilômetros e o sistema é composto por 303 estações. Na Europa, apenas o metrô de Moscou recebe mais visitantes diariamente. Além disso, os ônibus da cidade luz conectam as áreas de subúrbio a regiões centrais, facilitando esse deslocamento.

4. Copenhague

O sistema público de transporte em Copenhague, na Dinamarca, é um dos mais admirados em todo o mundo. O motivo: essa é uma das cidades mais amigáveis para a utilização de modais alternativos, como a bicicleta. São tantas as ciclovias espalhadas pela cidade e a disponibilidade de bicicletas compartilhadas, que 45% da população usa as bikes para se deslocar, percorrendo mais de um milhão de quilômetros todos os dias.

Há vários incentivos para o sucesso desse cenário. O transporte sobre duas rodas conta com pistas exclusivas, sinalização especial para ciclistas e um plano para a criação de redes, chamadas de greenways, que conectam a cidade de ponta a ponta, cobrindo mais de 100 km e 22 rotas diferentes.

O planejamento viário de Copenhague é baseado em torno dos pedestres e dos ciclistas. Além disso, metrôs e ônibus cobrem a cidade por completo e o City Pass é cobrado por tempo de uso, permitindo que cidadãos e visitantes utilizem esses veículos por 24, 48, 71 ou 120 horas.

A cidade de Copenhague é conhecida mundialmente pela cultura de valorização da bicicleta, afinal, metade da população se locomove com ela. Junto ao uso das bikes, por exemplo, o sistema de sinais de tráfego inteligentes consegue identificar a aproximação de veículos nas vias (sejam eles bicicletas, carros ou ônibus). Além disso, a quantidade de ciclistas que se aproximam do cruzamento é detectada, portanto, o semáforo fica aberto por mais tempo, de acordo com a quantidade de pessoas, permitindo que todos cruzem as ruas.

5. Seul

Ir de um ponto a outro de Seul é fácil para as mais de dez milhões de pessoas que circulam pela capital todos os dias, número que chega a 25 milhões se considerarmos toda a região metropolitana.

O metrô, os ônibus e os táxis são os métodos favoritos para chegar às principais atrações turísticas. Usando o Seoul Pass, é possível fazer até 20 viagens em um só dia. Assim como em Singapura, o transporte em Seul é muito barato e cerca de um dólar é o suficiente para percorrer 10 km.

6. Berlim

A cidade alemã tem o sistema de transporte público mais amigável e confiável do mundo, com uma experiência agradável para mais de um milhão e meio de pessoas que transitam todos os dias pela capital. Nos horários de pico, não há um intervalo de mais de cinco minutos entre um trem e outro.

Além disso, a maior parte do tráfego da cidade acontece debaixo da terra, pelo U-Bahn e S-Bahn, um sistema de trens rápidos que atendem tanto as áreas centrais quanto os subúrbios.

7. Nova Iorque

Com mais de dez milhões de usuários todos os dias, o sistema de transporte coletivo de Nova Iorque é um dos mais extensos do mundo.

A partir da Segunda Revolução Industrial ela ganhou seu primeiro metrô. Hoje, 67,2% da população vai ao trabalho utilizando o transporte público.

A chamada “Big Apple” é a única cidade nos Estados Unidos em que menos da metade da população possui carro. Dentre os efeitos positivos desse sistema que incentiva o uso do transporte público, pode-se observar a taxa de obesidade dos nova iorquinos, que é muito menor quando comparada às estatísticas do resto do o país.

8. Beijing

A cidade tem linhas expressas que conectam todo o sistema de transporte aos subúrbios, estradas que ligam a capital a todas as áreas do país e, pelo menos, cinco milhões de carros nas ruas. Nesse cenário, há um grande desafio para fugir do tráfego, e o governo o controla com 21 linhas de metrô, 628 km de trilhos e 324 estações que conectam o cidadão às linhas suplementares de ônibus, tróleis, trens e BRTs.

Os passes são válidos de três dias a um mês e há restrições para que os carros possam circular pela cidade, em rodízio. O programa é positivo, pois faz os donos de automóveis migrarem para o transporte público.

Bicicletas são muito populares em toda a China e, em Beijing, há mais de nove bilhões delas. Um programa governamental quer aumentar o uso dos veículos de duas rodas em 4% com a construção de ciclovias tão largas quanto três pistas de carros.

9.Zurique

Em Zurique, na Suíça, a maioria da população se locomove a pé ou com auxílio de dois modais: ônibus e trams – que funciona como um bonde sobre trilhos. A  cada 300 metros é possível encontrar um ponto de ônibus ou tram. Além disso, medidas sustentáveis, como a troca de ônibus a diesel por elétricos, e o investimento em ciclovias ajudam a deixar a cidade menos poluente.

Referências

IBGE: Mais da metade da população vive em apenas 5.6% dos municípios https://oglobo.globo.com/brasil/ibge-mais-da-metade-dos-brasileiros-mora-em-apenas-56-dos-municipios-21763856 e https://oglobo.globo.com/brasil/ibge-mais-da-metade-dos-brasileiros-mora-em-apenas-56-dos-municipios-21763856

IBGE: Um em cada três brasileiros mora em 48 municípios com mais de 500 mil habitantes https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/25280-um-em-cada-tres-brasileiros-mora-em-48-municipios-com-mais-de-500-mil-habitantes

O que é um aplicativo de mobilidade urbana? https://usemobile.com.br/aplicativo-mobilidade-urbana/

Os 13 Melhores Aplicativos de Transporte https://www.cissamagazine.com.br/blog/melhores-aplicativos-transporte

Campinas tem 103,9 mil veículos em circulação com IPVA 2018 vencido, diz estado https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2019/01/15/campinas-tem-1039-mil-veiculos-em-circulacao-com-ipva-2018-vencido-diz-estado.ghtml

Livro Cidades Inteligentes: Por que, para quem? – Lucia Santaella

Desigualdade Em Movimento – https://oxfam.org.br/publicacao/desigualdade-em-movimento/

Você sabe o que é mobilidade urbana e qual o seu impacto na arquitetura? – https://www.vivadecora.com.br/pro/arquitetura/o-que-e-mobilidade-urbana/

Mobilidade urbana: o desafio para as cidades no século XXI

https://oxfam.org.br/noticias/mobilidade-urbana-o-desafio-para-as-cidades-no-seculo-xxi/?gclid=CjwKCAiA3uDwBRBFEiwA1VsajDlQg4umKxOlA8wwAk8O7szBPaR19DpqjSJYJAkU8urWMbJTXNtpqBoCGx8QAvD_BwE

Como a tecnologia e as iniciativas internacionais podem ajudar a mobilidade brasileira?

https://www.onmobih.com.br/como-a-tecnologia-e-as-iniciativas-internacionais-podem-ajudar-a-mobilidade-brasileira/

Você sabe o que é mobilidade urbana e qual o seu impacto na arquitetura? – https://www.vivadecora.com.br/pro/arquitetura/o-que-e-mobilidade-urbana/

Recife: décimo lugar entre as metrópoles do mundo onde se perde mais tempo no trânsito e campeã da demora entre as cidades brasileiras

https://veja.abril.com.br/blog/cidades-sem-fronteiras/recife-decimo-lugar-entre-as-metropoles-do-mundo-onde-se-perde-mais-tempo-no-transito-e-campea-da-demora-entre-as-cidades-brasileiras/

Para o bem ou para o mal: o uso da tecnologia influencia diretamente em nossas vidas

https://www.onmobih.com.br/a-tecnologia-transformando-vidas-instituto-mobih/

Plano de Mobilidade Urbana de Itajaí – https://static.fecam.net.br/uploads/1527/arquivos/844790_Apresentacao_Final_PlanMob.pdf 

8 lugares com os melhores transportes públicos do mundo

https://www.onmobih.com.br/8-lugares-com-os-melhores-transportes-publicos-do-mundo/

Multas Janeiro-Novembro 2019 – EMDEC – http://www.emdec.com.br/transparencia/upload/multas/MultasTransito_2019.pdf?time=0.35645800%201579713373

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